Sou nada, neste momento. Perdi o rumo, o controlo sobre mim própria e deixei que o passado falasse mais alto. Ele atormenta, faz-me contorcer de dor, faz-me lavar a cara com estas lágrimas angustiadas e há muito escondidas. Julgava te-las perdido, é o que desejo sempre que tenho uma recaída Mas, na realidade, elas continuam lá, prontas a perfurar-me a alma a qualquer momento. Neste momento, não sei mais quem sou. Ele cega-me as lentes e tira-me a voz com uma agressividade atroz. Sei que esta noite já não vai ser a mesma. Não vou dormir, vou ficar a lamentar-me mais uma, e outra, e outra vez, até que as lágrimas parem, autonomamente, de rolar.
Quem sabe se é hoje que o meu anjo da guarda me visita? Afinal de contas, a louca sou eu!

