«Seria tão bom sair por aquela
porta e conhecer alguém sem precisar procurar no meio da multidão! Alguém que se soubesse aproximar sem ser invasivo ou que não se esforçasse tanto para
parecer interessante. Alguém de quem eu não quisesse fugir quando a intimidade
derrubasse as nossas máscaras, que segurasse a minha mão e me tocasse o coração. Que
não me prendesse, não me limitasse, não me mudasse, alguém que me roubasse um
beijo no meio de uma briga e me tirasse a razão sem que isso me ameaçasse. Que
me dissesse que eu canto mal, que eu falo demais e que risse das vezes em que
eu fosse desastrada. Alguém de quem eu não precisasse.. mas com quem eu
quisesse estar sem motivo certo. Alguém com qualidades e defeitos suportáveis,
que não fosse tão bonito e que ainda assim eu não conseguisse olhar noutra
direção. Que me encontrasse até quando eu tento, desesperadamente, esconder-me do
mundo.
Eu queria sair por aquela porta e conhecer alguém imperfeito, mas feito
pra mim. Uma dose de nós os dois, por favor!»

